Uma das diretoras da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, comitê do Global Classrooms® São Paulo 2009, encontrou esse relatório no site do Greenpeace e acha que seria interessante que os alunos interessados nesse tema o leia! Qualquer dúvida não deixe de nos escrever.
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Representantes de cerca de 200 países estarão em Copenhague (Dinamarca) entre os dias 7 e 18 de dezembro deste ano para um dos encontros mais importantes na história – a 15a. Conferência das Partes (COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Sua realização é aguardada com expectativa e esperança por todos os que se preocupam com as mudanças climáticas e seus impactos no planeta.
Mas o que vem a ser essa COP? Qual a sua importância? O que está em jogo? É o que você saberá agora.
De Estocolmo a Copenhague
Para entender um pouco da história do que vai acontecer em Copenhague, vamos recuar até 1972, quando a ONU organizou em Estocolmo, na Suécia, a primeira conferência mundial para discutir questões ambientais. O encontrou reuniu 113 países e mais de 400 ONGs de todo o mundo. Ele é considerado o ponto-zero do debate ambiental mundial e resultou na criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Vinte anos depois, em 1992, a ONU convocou nova reunião internacional, desta vez no Rio de Janeiro. Conhecida como Rio Eco-92, a conferência teve como um de seus principais resultados o acordo para reduzir as emissões de gases do efeito estufa que causam o aquecimento global – a Convenção sobre Mudança do Clima.
Assinada inicialmente por 154 países, a Convenção entrou em vigor em 1994 e, no ano seguinte, em Berlim (Alemanha), foi realizada a 1a. Conferência das Partes (COP 1), ou seja, a primeira reunião dos países participantes da Convenção. Foi nessa primeira COP que ficou decidida a criação, até 1997, de um protocolo com metas para a redução de emissões. Nesse ano, a reunião da ONU aconteceu em Kyoto, no Japão, e lá surgiu então o Protocolo de Kyoto.
E o que é o Protocolo de Kyoto? Trata-se de um compromisso estabelecido pelos países que assinaram a Convenção da ONU sobre Mudança do Clima de reduzirem, entre 2008 e 2012, suas emissões poluentes em pelo menos 5% em relação aos níveis verificados em 1990. O Brasil ratificou em 2002 o Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em 2005.
Estamos no segundo ano de vigência do Protocolo de Kyoto e o mundo agora discute o que fazer depois dele, a partir de 2012. O mapa do caminho foi traçado em 2007 na COP 13, realizada em Bali (Indonésia) e agora os países voltam a se reunir, desta vez em Copenhague, no final deste ano, para discutir o acordo global que vai suceder o Protocolo de Kyoto. Na pauta de debate estão o estabelecimento de metas mais rígidas de redução das emissões de gases do efeito estufa, além das bases para um esforço global de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Os desafios são enormes. Há um grande impasse hoje entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre quais as metas possíveis e desejadas para a redução de emissões e o nível de comprometimento dos países com o clima global. A chegada de Barack Obama ao poder nos EUA, a crise econômica e os estudos científicos apontando a gravidade dos impactos do aquecimento global sobre a vida no planeta são fatores que deverão influenciar decisivamente a reunião COP 15 em Copenhague.
Queremos que o presidente Luís Inácio Lula da Silva vá para Copenhague e apresente um compromisso nacional de combate às mudanças climáticas, exercendo também uma liderança proativa para garantir um acordo robusto que efetivamente reduza globalmente as emissões de gases do efeito estufa para o período entre 2013 e 2017.
Tempo e escolha são o que todos querem na vida. O problema é que, com as mudanças climáticas, temos cada vez menos tempo e menos escolha.
Entendendo o problema
Os dados científicos são claros: temos que reduzir, em 2015, as emissões de CO2 no mundo e construir, até 2050, uma economia com baixa emissão de gases do efeito estufa.
A atividade humana é a principal causa do aquecimento global. Na prática, todos os setores da economia – energia, transporte, indústria, desenvolvimento urbano, pesca, agricultura industrial (incluindo produção para ração animal, fibra e produção de agrocombustíveis) – têm contribuído para acelerar o problema. O apetite dos seres humanos por recursos naturais só aumenta, mas o tamanho do planeta continua o mesmo.
O Painel de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) revelou em novembro de 2008 que a concentração de CO2 – principal gás do efeito estufa – na atmosfera aumentou 0,5% entre 2006 e 2007. Essa concentração aumentou 24% desde 1990. Ou seja: mesmo com todos os alertas da comunidade científica e de ambientalistas, o mundo continua aumentando suas emissões. E o efeito disso já podem ser vistos em todo o planeta.
Quem mais vai sofrer com as mudanças climáticas são os países pobres.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), por exemplo, houve um aumento na incidência de eventos climáticos extremos no território brasileiro entre 1970 e 2008, causando a morte de mais de seis mil pessoas e prejuízos da ordem de US$ 10 bilhões.
No final de novembro de 2008, chuvas torrenciais provocaram em Santa Catarina a morte de mais de 130 pessoas e milhões de reais em prejuízos materiais. Várias cidades decretaram estado de emergência e milhares de pessoas ficaram desabrigadas. Em maio de 2009, fortes chuvas também destruíram casas, causaram mortes e desabrigaram milhares pessoas nos estados do Norte e Nordeste do país, ao mesmo tempo que uma seca profunda afetava os produtores agrícolas do Sul.
Do período pré-industrial até hoje, o aumento de temperatura no planeta foi, em média, de 0,8oC. Por conta das emissões já lançadas na atmosfera, a temperatura vai aumentar pelo menos mais 0,6oC. Esse aquecimento médio de 1,4oC do planeta nos coloca muito próximos de cruzar o limite da estabilidade, o chamado tipping point, ou ponto de saturação. A ciência estima que esse limite será ultrapassado caso a temperatura média da Terra aumente cerca de 2oC, provocando uma série de fenômenos naturais que, por sua vez, vão liberar ainda mais gases poluentes na atmosfera.
O Jogo das Nações
Enquanto vivemos, produzimos e consumimos, a temperatura média da Terra aumenta. O uso das riquezas naturais já extrapola em cerca de 25% a capacidade de regeneração do planeta. Mais de 80% desses recursos é utilizado pelas nações industrializadas.
O crescimento econômico baseado no uso intensivo de carbono, como combustíveis fósseis, não significa melhoria de qualidade de vida ou segurança global. Pelo contrário: a disputa por recursos cada vez mais escassos ameaça colocar nações contra nações, disseminando guerra e instabilidade global.
A crise ambiental não pode ser negligenciada. É preciso encarar o quanto antes a grave situação em que nos encontramos e exigir ação imediata de governos, empresas e cidadãos.
Na reunião de dezembro, em Copenhague, os países têm que apresentar um plano efetivo e abrangente de ação que reduza de forma drástica as emissões de gases estufa no planeta. Esse plano também deverá promover o desenvolvimento e estabelecer metas claras e obrigatórias a serem adotadas por EUA, Japão e pela União Européia. Mas isso não basta: é preciso também compromissos de países em desenvolvimento como Brasil, China e Índia para reduzir suas emissões globais em pelo menos 80% até 2050, mantendo o aumento médio da temperatura global bem abaixo dos 2oC.
Mas reduzir emissões não é a única lição de casa dos países desenvolvidos. Eles precisam também produzir energia de maneira limpa e rever seus padrões de consumo, além de ajudar tecnica e financeiramente os países em desenvolvimento para garantir a proteção de ecossistemas florestais e marinhos e o acesso desses países a tecnologias limpas. Para os países ricos, não basta parar de poluir; é preciso também ajudar a pagar a conta do desenvolvimento sustentável dos países emergentes.
Uma nova economia verde
Crise financeira, energética e ambiental. Definitivamente, 2009 começou turbulento.
Nossa sociedade precisa definir o quanto antes o que é “progresso”, “crescimento” e “desenvolvimento”. Tais palavras têm sido usadas há anos para promover e justificar uma economia baseada no uso intensivo de carbono. As mudanças climáticas são um grave sintoma da falência desse sistema econômico, que falha por não atribuir valor à atmosfera, aos oceanos, às florestas.
Redefinir tais conceitos significa fixar valores para os recursos que são realmente importantes para nossa sobrevivência no planeta e tirar o valor de tudo que enfraquece sua saúde. Temos que concordar, legislar, cumprir e incentivar regras que apontem em novas direções, criar um plano novo e estratégico para criar uma economia sustentável – é o Novo Acordo Verde.
Por meio desse novo acordo promoveríamos a mudança do modelo de desenvolvimento que temos hoje e lançaríamos os fundamentos de um novo conjunto de economias de baixo carbono, ricas em geração de empregos e baseadas em fontes e tecnologias renováveis para o fornecimento de energia.
É preciso estabelecer um pacote com vários mecanismos, fundos e incentivos financeiros para levantar os recursos necessários para o combate à crise climática. Esses recursos devem ser focados em investimentos inteligentes e regulamentações que financiem o desenvolvimento e aplicação de medidas e padrões de eficiência energética, reduzindo a demanda por energia. A ciência e a tecnologia necessárias para essa revolução no setor de energia e de transportes já existem. Mas ainda faltam os recursos necessários – e vontade política.
Não será possível enfrentar a crise econômica mundial sem levar em conta que os recursos naturais são finitos. O respeito ao meio ambiente e a justiça social devem ser as bases desse novo acordo global. Chegou a hora de colocar o desenvolvimento sustentável, e não apenas econômico, no centro da agenda mundial.
Para tanto é preciso reunir as diversas forças da sociedade em uma nova aliança política entre trabalhadores, ambientalistas, empresários e governos, entre a sociedade civil organizada e academia, indústria, agricultura e o setor de geração de serviços.
(Fonte: Greenpeace, http://www.greenpeace.org/brasil/greenpeace-brasil-clima/cop-15)