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Cabo Verde aproxima-se do limite de exploração de água potável

Julho 21, 2009

Cabo Verde aproxima-se do limite de exploração de água potável, alerta Direcção Nacional da Gestão dos Recursos Hídricos

ÁFRICA - 17/07/09, 12:08 - OJE/Lusa

água

Cabo Verde está a aproximar-se “a passos largos” do limite de exploração de águas subterrâneas, a maior fonte de aprovisionamento do país, alertou hoje o presidente da Direcção Nacional da Gestão dos Recursos Hídricos do arquipélago.

“Cabo Verde tem potencialidades de água subterrânea estimadas em 60 milhões de metros cúbicos/ano. Estaremos seguramente a explorar cerca de 40 milhões”, precisou António Pedro Borges, ao discursar na sessão de abertura do 1º Simpósio Nacional dos Recursos Hídricos, sob o lema “Água: Desafios de Hoje, Exigências de Amanhã”.

António Pedro Borges avisou que, até 2020, com o ritmo de desenvolvimento do país, essa necessidade vai ter de ser aumentada significativamente, para subir aos 90 milhões de metros cúbicos/ano.

Cabo Verde tem, porém, desenvolvido ao longo das últimas duas décadas vários projectos de centrais dessalinizadoras, provenientes da água do mar, que têm permitido atenuar a exploração dos lençóis freáticos.

Estima-se que a população mundial utiliza mais de metade da água potável disponível proveniente de aquíferos, rios e lagos, lembrou.

Ao intervir também na sessão de abertura do Simpósio, o Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, frisou a necessidade de os critérios de gestão da água deverem basear-se na racionalidade, poupança e produtividade, bem como na eficácia das diversas vertentes do seu uso.

Pedro Pires defendeu que esses critérios devem ser aplicados também no uso doméstico, numa altura em que Cabo Verde está a aproximar-se do limite da exploração das águas subterrâneas.

“Verificam-se, nesta vasta área de consumo, muitas perdas e desperdícios”, sustentou o chefe de Estado cabo-verdiano, defendendo a introdução “urgente” de novos equipamentos e hábitos pessoais de poupança, a par da promoção da expansão das redes de reciclagem das águas residuais.

Esses critérios, acrescentou Pedro Pires, podem aplicar-se à agricultura, à protecção das reservas naturais e a uma gestão adequada das orlas marítimas, exigindo esta uma atenção “especial”, pois é “urgente encontrar o substituto da areia do mar na construção civil”.

Além da prática “negligenciada” e do “esbanjamento” como factores que têm contribuído para a carência e degradação da água, Pedro Pires afirmou que há uma visão errada quanto à quantidade disponível e ao seu valor material em Cabo Verde.

“A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos da sua protecção e as necessidades de ordem económica, sanitária e social”, concluiu.

Fonte: http://www.oje.pt/noticia.aspx?channelid=B35371BB-722F-4403-8EB6-DCE66A4991FB&contentid=87630C11-7AED-4F27-A44F-5902C038C3D0

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