Cabo Verde aproxima-se do limite de exploração de água potável, alerta Direcção Nacional da Gestão dos Recursos Hídricos
ÁFRICA - 17/07/09, 12:08 - OJE/Lusa

Cabo Verde está a aproximar-se “a passos largos” do limite de exploração de águas subterrâneas, a maior fonte de aprovisionamento do país, alertou hoje o presidente da Direcção Nacional da Gestão dos Recursos Hídricos do arquipélago.
“Cabo Verde tem potencialidades de água subterrânea estimadas em 60 milhões de metros cúbicos/ano. Estaremos seguramente a explorar cerca de 40 milhões”, precisou António Pedro Borges, ao discursar na sessão de abertura do 1º Simpósio Nacional dos Recursos Hídricos, sob o lema “Água: Desafios de Hoje, Exigências de Amanhã”.
António Pedro Borges avisou que, até 2020, com o ritmo de desenvolvimento do país, essa necessidade vai ter de ser aumentada significativamente, para subir aos 90 milhões de metros cúbicos/ano.
Cabo Verde tem, porém, desenvolvido ao longo das últimas duas décadas vários projectos de centrais dessalinizadoras, provenientes da água do mar, que têm permitido atenuar a exploração dos lençóis freáticos.
Estima-se que a população mundial utiliza mais de metade da água potável disponível proveniente de aquíferos, rios e lagos, lembrou.
Ao intervir também na sessão de abertura do Simpósio, o Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, frisou a necessidade de os critérios de gestão da água deverem basear-se na racionalidade, poupança e produtividade, bem como na eficácia das diversas vertentes do seu uso.
Pedro Pires defendeu que esses critérios devem ser aplicados também no uso doméstico, numa altura em que Cabo Verde está a aproximar-se do limite da exploração das águas subterrâneas.
“Verificam-se, nesta vasta área de consumo, muitas perdas e desperdícios”, sustentou o chefe de Estado cabo-verdiano, defendendo a introdução “urgente” de novos equipamentos e hábitos pessoais de poupança, a par da promoção da expansão das redes de reciclagem das águas residuais.
Esses critérios, acrescentou Pedro Pires, podem aplicar-se à agricultura, à protecção das reservas naturais e a uma gestão adequada das orlas marítimas, exigindo esta uma atenção “especial”, pois é “urgente encontrar o substituto da areia do mar na construção civil”.
Além da prática “negligenciada” e do “esbanjamento” como factores que têm contribuído para a carência e degradação da água, Pedro Pires afirmou que há uma visão errada quanto à quantidade disponível e ao seu valor material em Cabo Verde.
“A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos da sua protecção e as necessidades de ordem económica, sanitária e social”, concluiu.
