
Depois de tanto tempo, cá estou eu – como diriam nossos patrícios – escrevendo o meu primeiro post para o Blog.
Na realidade, é meio estranho, uma vez que não sei se escrevo como aluno, organizador ou admirador do projeto, sendo assim, decidi escrever um pouco sob cada óptica.
Vamos começar como aluno:
Nem preciso demorar tanto tempo aqui falando sobre os efeitos que têm esse projeto sobre a vida de quem por ele passa. Também é desnecessário discorrer parágrafos sobre o que se aprende com ele, porque, acreditem, páginas não seriam suficientes.
Aprende-se sobre si próprio, sobre os outros, sobre sonhos, sobre como estar inserido em algo maior, sendo uma pequena parte que, definitivamente, deve fazer a diferença.
Muito mais que Geografia, política, retórica, postura, tolerância, o Global Classrooms ensina o aluno a crer que, não importam os obstáculos, físicos, morais ou religiosos, ele pode ser aquilo que deseja, aquilo que acredita.
Enfim, aprende-se a “acreditar que somos maiores”, por crermos em coisas maiores e, tudo isso, com uma pitada de competição. Olha que beleza!
Entretanto, o aprendizado como aluno só termina depois, que é quando percebe-se que o fato de termos [ou não] perdido “a viagem dos sonhos”, não impede que ganhemos, e muito, por míseros dois dias que não passarão esquecidos.
Depois, dependendo das circunstâncias, brinca-se de organizar esse negócio:
Minha vida “backstage” no GCSP começou em 2007, nada mais nada menos, que como Secretário-Geral.
Eu sei que algumas pessoas pensam que é hipocrisia da minha parte, mas o meu papel como organizador no GCSP 2007 é pra mim, hoje, muito mais importante do que ter integrado a delegação que viajou para Nova Iorque em maio daquele ano.
Foi na edição de 2007 que eu aprendi que nem sempre as coisas funcionam como planejados, que o “trabalho dignifica o homem”, que não há nada mais belo do que o reconhecimento singelo por nosso trabalho.
Foi aí, nessa edição, que eu fui tocado, pela primeira vez, pelas maravilhas do voluntariado.
Ah! Como é bom trabalhar por um propósito maior e “acreditar em coisas maiores”.
Depois, seguindo a ordem cronológica das coisas veio 2008 e meu primeiro comitê como diretor em um Global Classrooms.
E é aí, lá dentro, que percebe-se, efetivamente, o desenvolvimento de um delegado e tão belo é poder reconhecer seus esforços.
Tá, eu sei que, infelizmente, nem todos que se esforçam ganham prêmios, mas será assim pro resto da vida e isso é outra coisa que o Global Classrooms ensina, a perder, mesmo que achemos sermos os maiores merecedores.
Pois bem, imensurável meu orgulho quando descobri que duas de minhas delegas (de nossas, Lincoln, Henrique e Fabi), Michelle e Letícia, embarcariam pra lá, Nova Iorque, e representariam muito mais que suas delegações; representariam suas histórias, seus sonhos, assim como eu havia feito dois anos antes.
E que venha 2000inove (adoro esse trocadilho)!
Confesso que fui omisso, irresponsável e alguns outros adjetivos que não condizem com o que se espera do comprometimento de um voluntário. Mas, mesmo assim, pude desfrutar de mais dois dias do tal projeto que muda a vida das pessoas.
In the first day, I was there, in the Security Council, asking for motions or points.
Mas, era na OMS desde sempre que eu queria estar… e tão valoroso foi o último dia (por enquanto) do GCSP de 2009.
E, mais uma vez, apesar de ser um diretor chato, o contato com os delegados comove. A admiração que eles transmitem, a energia que deles emana. Sabe aquele momento que queríamos fosse infinito? Pois é, apesar de eu saber que um momento bom e infinito impede que outros momentos bons venham, queria sim que a última sessão tivesse sido perpetuada.
Agora vem o mais fácil:
Tem como não admirar?
Eu, ex-aluno de escola pública, consciente e ciente do descaso dos governantes para com nosso desenvolvimento acadêmico, não posso deixar de ficar comovido com a vibração dos delegados durante as cerimônias de encerramento.
Não posso manter-me indiferente aos esforços dos organizadores em fazerem o melhor, à doação de Raquel Mozzer, Thiago Fernandes e Anamélia Meirelles.
E, mais isso o Global Classrooms ensina, a admirar. Admirar aqueles que são muito maiores, por “acreditarem em coisas maiores” e que, mesmo vendo seu trabalho sem o devido reconhecimento não desistem.
E aí, vem a hora de pedir:
Por favor, por eles (delegados), por nós (voluntários e admiradores) e por vocês, não desistam!
Porque muito mais que ensinar e apresentar amigos pra vida toda, o Global Classrooms nos muda… a nós (delegados), a nós (voluntários) e a nós (admiradores).
Jefferson Agrella.